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ESCUTA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA E CLASSES HOSPITALARES DA CIDADE DE SALVADOR

 RESUMO

 

 

Este artigo tem por objetivo refletir sobre a escuta do professor na sala de aula das classes regulares, Eja (Educação de Jovens e adultos) e hospitalar tomando por base algumas experiências de escolas públicas da cidade de Salvador da rede estadual e municipal. Não pretendemos descartar o que já conhecemos e acreditamos da educação básica, mas, pretendemos ouvir melhor este educando, compreendendo como o conhecimento da vivência em sala regular e hospitalar e a apropriação dos sentidos expressos no ambiente educativo refletem o papel da educação no desenvolvimento cognitivo, emocional e da saúde do aluno hospitalizado ou não.

 

 

ABSTRACT

 

 

This article has for objective to reflect on the listening of the professor in the classroom of the regular classrooms, hospital Eja and taking for base the city of Salvador and its state and municipal public net. We do not intend to discard what already we know and we believe of the basic education, but, we intend to hear this more good educating, understanding as the knowledge of the experience in regular room and hospital and the appropriation of the express directions in the educative environment reflects the paper of the education in the cognitivo, emotional development and of the health of the hospitalized pupil or not.

 

PALAVRAS-CHAVE

 

Escuta pedagógica – educação hospitalar – atendimento educacional.

 

 

KEY-WORDS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Nosso artigo focará a escuta pedagógica do professor e a necessidade de cada vez mais pararmos para percebermos este aluno que convive na nossa sala de aula quer seja regular, na educação de jovens e adultos ou na classe hospitalar e podemos citar como objetivos específicos a descrição e analise de uma prática pedagógica em hospital como alternativa de atendimento educacional, apontando suas conquistas e dificuldades, alem de refletir sobre a atuação do professor na sala regular e Eja (Educação de jovens e adultos), e os novos caminhos para a educação a partir do acompanhamento da escuta pedagógica no ensino básico.

Este estudo foi realizado por suscitar uma curiosidade por parte dos diversos profissionais quando se fala em escuta pedagógica, educação de adultos e principalmente sala de aula hospitalar que para muitos é algo ainda novo sem qualquer referencial ou concreticidade.

A prática acontece na cidade de Salvador na Bahia, tomando por base três escolas da rede pública estadual e a classe hospitalar do Hospital Santa Isabel na unidade de oncologia pediátrica do Erick Loeff.

 

JUSTIFICATIVA

 

Vivenciamos um momento de transformações, de mudanças e revisões quanto às teorias e práticas em relação à Educação. Passamos a refletir nossas atitudes e principalmente a discutir sobre: “o que move esta prática?” buscamos o consenso de que essa deve ser movida e centrada no aluno, repensando o fracasso escolar, respeitando os saberes que os educandos, sobretudo os das classes populares chegam a escola e discutindo com eles a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino dos conteúdos.

“Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão mais e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”.

 

A frase atribuída a D.Pedro II destaca a importância do papel do educador em uma época onde poucos lecionavam no Brasil. Hoje com o grande número de profissionais na educação, a desvalorização perante os órgãos federais, estaduais e municipais fica cada vez mais difícil o professor descobrir a nobreza de sua função. No Brasil para ser professor é preciso sobretudo, amor ä profissão, ter um olhar de amor para com os alunos ou seja, ter uma escuta diferenciada por cada um, só assim venceremos os obstáculos e as frustrações da carreira, que são cada vez maiores, mas, independente dos obstáculos que temos, não podemos perder a crença naquilo que fazemos, já que toda prática educativa está fundamentada numa concepção do que seja conhecer e esse conhecer está relacionado diretamente com o tema proposto que é a escuta pedagógica, pois cabe a quem educa  a responsabilidade de desenvolver a capacidade de escutar o educando e o que ele me diz, como ele me diz, qual o significado deste dizer, como posso ajudá-lo, como posso apoiá-lo na compreensão de seus próprios sentimentos e tomada de decisão.

Por meio dessa certeza, ampliamos seus horizontes, pois os levamos a perceber-se como sujeito da sua própria vida e compreender que cada pessoa se constrói a partir das suas ações e opções, valorizando-os como seres humanos aumentando assim sua auto-estima, desenvolvendo confiança nele a a certeza de que são capazes de viver e merecedores da felicidade.

O atendimento pedagógico-educacional no ambiente hospitalar dentro da cidade de Salvador acontece em parceria do Instituto Criança Viva com a Prefeitura Municipal de Salvador, que cede seus professores para atuarem nos  hospitais públicos, casas de apoio e domicilio onde encontram-se crianças internadas sem poderem freqüentar a escola regular durante certo período. Este atendimento é melhor entendido como uma escuta pedagógica às necessidades da criança, buscando atendê-las o mais adequadamente possível nestes aspectos e não como uma mera suplência escolar ou “massacre” concentrado do intelecto da criança. O sucesso deste trabalho depende da contínua e próxima cooperação entre os professores, alunos, familiares e os profissionais de saúde do hospital, inclusive no que diz respeito aos ajustes necessários na rotina e/ou horários quando da interferência destes no desenvolvimento do planejamento para o dia-a-dia de aulas na escola hospitalar.

 

 

 

A EDUCAÇÃO E O SÉCULO XXI

 

A busca hoje da identidade da escola requer os desafios dessa sociedade do século XXI, mas as vezes não sabemos o que fazer face as rápidas mudanças que diante desse fato, requer uma adoção de intervenções no processo educativo capazes de gerar flexibilidade, autonomia, responsabilidade e comprometimento social.

Transformações tecnológicas são determinantes nesse nosso sistema gerando perspectivas opostas: para ....., a pós-modernidade (civilização pos-industrial, época de perdas e caída de valores, de relativismo ético e para outros, surgimento da “idade de ouro”.

O esforço ...... da humanidade se concentrou na multiplicação da força manual e locomotora, durante séculos; atualmente há uma concentração na parte visível ou seja na capacidade do ser humano de pensar, armazenar e correlacionar dados. A informática gerou um grande desenvolvimento mudando hábitos e sistemas de produção gerando nos indivíduos competitividade entre nações e indivíduos enquanto na era industrial os recursos naturais, preços, baixos salários, quantidades e disciplina da mão de obra eram os fatores considerados competitivos.

Após 1945 com a guerra fria, o mundo desenhava um novo cenário geopolítico onde era bipolar reduzido aos blocos soviéticos e norte-americano diferenciado do mundo de hoje onde os blocos econômicos são delineados pelo jogo de influências econômicas transnacionais, distribuição de poderes através de pólos científicos tecnológicos com grandes tensões entre nações onde os conflitos étnicos e religiosos acontecem em todos os continentes.

O mundo se globalizou, criando denominadores comuns nos tipos de consumo dos povos em geral, nas suas culturas, usos, costumes e modo de viver, gerando um processo mundializado, ou seja uma homogeneidade cultural de valores e referências comuns, existindo com realidades singulares mas também com grandes desigualdades sociais, separando os países ricos (norte) e aumentando as crises e conflitos até nos países ditos desenvolvidos como o desemprego e exclusão social.

Todos esses processos e transformações vem acompanhados de uma grande ameaça que é o aquecimento global ou seja o perigo de um desenvolvimento sem sustentabilidade pois embora a humanidade esteja mais consciente desse problema nas questões ambiental, encontra dificuldades em conciliar esse equilíbrio ecológico e crescimento econômico.

O crime organizado em escala global como tráfico de drogas, material bélico, prostituição, tem se intensificado decorrente dessa abertura econômica em conseqüência de um enfraquecimento na fiscalização mais efetiva.

Nesse processo interdependente globalizado temos que pensar numa educação que enfatize os valores éticos, que não esqueça o caráter único de cada pessoa, suas tradições, riquezas das suas culturas ou seja, temos que nos voltar para uma escuta desse aluno na sala de aula, temos que ter como missão de trabalhar no sentido de uma valorização ética, cultural e dar condição ao mesmo para que tenha um projeto pessoal e que desenvolva o senso crítico e reflexivo, que possa compreender o outro e o ambiente onde vive e que aja como um cidadão da sua comunidade mas que possa contribuir também para o mundo através de uma educação com autonomia, responsabilidade pessoal e social, gerando um dos grandes desafios para essa educação do século XXI, que é fazer com que aconteça mudanças significativas na relação professor-aluno, aluno-aprendizagem, pois essa escuta gerará mudanças significativas tanto nas atitudes quanto no comportamento dos nossos educandos.

Vigotsky desenvolveu também uma das teorias a cerca da linguagem como suporte e a expressão do pensamento humano pois, segundo ele, o material básico do pensamento é a linguagem, assim como Wallon, a aprendizagem está pautada na interação do indivíduo com o meio na qual está inserido. Em particular Vigotsky enfatizou o papel da cultura na história pessoal, e o da linguagem na construção do conhecimento, discutindo o educando não apenas como construtor individual do conhecimento mas, interagindo com sua cultura e como seu mediador que no caso é o professor e consequentemente validando assim a escuta pedagógica.

 

QUESTIONAMENTOS:

 

  1. O que pretendemos educar quando falamos em escuta pedagógica?
  2. Como seria essa escuta?
  3. É possível desenvolver essa escuta pedagógica em alunos do ensino regular e EJA?

Responder a essas questões implica definir tanto o significado do que é escuta pedagógica atribuída ä educação do ensino regular e EJA quanto sua metodologia.

Implica ainda definir o que temos em mente quando pretendemos fazer essas interferências com os educandos.

A escuta pedagógica diferencia-se das demais escutas realizadas pelo serviço social ou pela psicologia, ela traz a marca da construção do conhecimento sobre aquele espaço, aquela rotina, as informações aparecem de forma lúdica e ao mesmo tempo didáticas. Na realidade não é uma escuta sem eco. É uma escuta da qual brota o diálogo, que é a base de toda a educação.

No contexto da educação tradicional e da organização curricular, pouco espaço se dava a educação afetiva e social. Auto-estima, amor, identidade, justiça, oportunidades, solidariedade, cooperação, motivação sócio-afetiva, embora fossem conteúdos reconhecidos como importantes para a formação integral dos alunos na maioria das vezes eram termos que não se aplicavam nas salas de aula.

Hoje como estamos em uma sociedade globalizada e multicultural há uma exigência no sentido da escola se aproximar das reais necessidades dos alunos fazendo com que o educador seja capaz de influir significativamente no seu desenvolvimento pessoal e social ou assim indiretamente transformará a própria sociedade, pois são atitudes e comportamentos que a escola pode interferir diretamente pois são metodologias na reestruturação dos currículos e consequentemente nas necessidades reais dos alunos.

É importante perceber o aluno e o meio em que vive e seus familiares como seres pensantes que, estão na escola, mas já trazem histórias de vida, conhecimentos prévios que deve contar com uma atuação do professor, uma articulação significativa entre o saber do cotidiano do seu educando e o saber sistematizado, fazendo uma contextualização desses saberes.

Educar é ir além do ensinar meramente, objetiva ...... o ser humano para a vida, fazendo o entender e atuar de maneira consciente e responsável sobre o mundo físico-social, político e cultural no qual vive.

 

 

A EDUCAÇÃO PÚBLICA DENTRO DO HOSPITAL

 

Não seria errôneo considerar o ambiente hospitalar como aquele onde coexistem dor, debilidade orgânica e a necessidade de muito repouso se, neste mesmo ambiente, não coabitassem também vida, movimento e energia. Pelo menos é o que vivenciamos nas interações com as crianças no dia-a-dia da escola no ambiente hospitalar.  (Fonseca 2003).

 

O oficio do professor no hospital apresenta diversas interfaces (política, pedagógica, psicológica, social, ideológica), mas nenhuma delas é tão constante quanto a da disponibilidade de estar com o outro e para o outro. Certamente, fica menos traumático enfrentar esse percurso quando não se está sozinho, podendo compartilhar com o outro a dor, por meio do diálogo e da escuta atenciosa.

Ceccim (1997) fala da escuta pedagógica para agenciar conexões necessidades intelectuais, emoções e pensamentos que entendemos como pontos importantes para serem recuperados. Segundo este autor:

 

O termo escuta provém da psicanálise e diferencia-se da audição. Enquanto a audição se refere a apreensão/compreensão de vozes e sons audíveis a escuta se refere à apreensão/compreensão de expectativas e sentidos, ouvindo através das palavras as lacunas do que é dito e os silêncios, ouvindo expressões e gestos, condutas e posturas. A escuta não se limita ao campo da fala ou do falado. [mais do que isso] busca perscrutar os mundos interpessoais que constituem nossa subjetividade para cartografar o movimento das forças de vida que engendram nossa singularidade. (Ceccim, 1997. P. 31).

 

O tema escola aparece para quem está hospitalizado, como uma referência à vida normal e saudável e à identidade daqueles que são normais e saudáveis – e, portanto, estão fora do hospital. Ou seja, não é o conteúdo didático que é buscado por estes alunos, mas sim o reconhecimento de sua auto-estima, presente na figura daquele que é capaz de estudar. Esse desejo é a possibilidade de aprender, ainda que doente.

O papel da escuta pedagógica aparece como a oportunidade do aluno se expressar verbalmente e também como a possibilidade da troca de informações, dentro de um diálogo pedagógico contínuo e afetuoso. A relação pedagógica é sempre dialógica, e a escuta pedagógica faz-se presente quando o aluno quer compartilhar com o professor as suas marcas.

A escuta pedagógica parece ser o caminho a ser trilhado, pois marca o diálogo não somente com a forma do aluno expressar seus sentimentos, mas também organizar suas idéias a partir da linguagem. Além disso o diálogo pressupõe um outro na relação, que pode trazer informações ou esclarecimentos relevantes que auxiliem o individuo a compreender melhor a realidade que o cerca.

Mesmo diante das mais inesperadas situações, o bom humor é uma forma de manter aberto o canal de comunicação. Ao relaxar a contração muscular, o riso alimenta emoções propiciadoras de bem-estar físico e emocional.

 

“A educação não acontece num vácuo cultural, nem tampouco fora do contexto político. Nesse sentido resgatar o cotidiano a partir da noção histórica, possibilita um clima de discussão e dialogo nas dimensões política como educativa e isto vale tanto para o sujeito como para o coletivo.” (Gadotti; 1993.63).

 

O trabalho pedagógico nos hospitais de Salvador apresenta diversas interfaces de atuação e está na mira de diferentes olhares que o tentam compreender, explicar e construir um modelo que o possa enquadrar. No entanto, é preciso deixar claro que tanto a educação não é elemento exclusivo da escola quanto a saúde não é elemento exclusivo do hospital. O hospital é, inclusive, segundo definição do Ministério da Saúde, um centro de educação.

 

Hospital é a parte integrante de uma organização médica e social, cuja função básica consiste em proporcionar à população assistência básica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisa em saúde, bem como de ancaminhamento de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente. (Brasil, 1977. P.3.929)

 

Refletir sobre a atuação do professor dentro do Hospital tem sido bastante recente e delicada porém não impossível como diz Eneida Fonseca:

 

A escola hospitalar permeia-se de uma ecologia particular, e a sua existência não é de fato efetiva se sua prática pedagógico-educacional não for considerada e elaborada com base na compreensão das interligações dos diversos aspectos (sistemas, segundo Bronfenbrenner, 1979) de sua realidade (a criança, a doença, os pais, os profissionais de saúde, o ambiente hospitalar, o ambiente da escola hospitalar, o professor, etc) com aqueles sistemas do mundo fora do hospital (contato com a escola de origem da criança, adequações para a inserção da criança portadora de necessidades especiais na escola regular, encaminhamento de matrícula na escola regular quando da alta hospitalar para aquelas crianças que nunca freqüentaram escola antes, embora em idade de obrigatoriedade para tal). E na articulação constante de tantos e diferentes fatores pertinentes à clientela hospitalizada, tem-se vivido na prática um exemplo de atenção a diversidade (Fonseca, 1999c).

 

Segundo a política do Ministério da Educação (MEC).

 

Classe hospitalar é um ambiente hospitalar que possibilita o atendimento educacional de crianças e jovens internados que necessitam de educação especial e que estejam em tratamento hospitalar. (Brasil, 1994. P.20)

 

Numa sociedade contemporânea, capitalista, pós-industrial e globalizada; onde se valorizam trabalhos ao nível de competência cada vez mais elevada e o ideal do ser melhor reina, que lugar ocupa o sujeito do fracasso escolar? A escola hospitalar é defendida com a presença de professores nos hospitais para a escolarização das crianças e jovens internados segundo os moldes da escola regular contribuindo para a diminuição deste fracasso e dos elevados índices de evasão e repetência que acometem frequentemente essa clientela em nosso país.

Esse atendimento é adotado desde 1950 quando aconteceu pela primeira classe hospitalar no Brasil, a Classe Hospitalar Jesus, vinculada ao Hospital Municipal Jesus, no Rio de Janeiro. Aqui em Salvador esta prática já acontece a alguns anos tendo iniciada no Hospital das Clínicas com a professora Veruska Andrade depois surgindo no Hospital de Irmã Dulce com as obras da OSID, sob a coordenação da UFBa. Hoje já são mais de dezoito hospitais públicos, casas de apoio e domiciliares e o governo municipal tem como meta atingir todos os hospitais públicos da cidade.

A prática da sala de aula no hospital ocorre de forma bem diversificada uma vez que os alunos pacientes internados possuem diversas faixas etárias tornando o fazer pedagógico uma aprendizagem pautada na interação do indivíduo com o meio no qual está inserido.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Depois de todo este estudo e prática concluímos que a escuta pedagógica leva o professor a perceber a perspectiva sociológica da sala de aula, pois envolve um processo de ver além das fachadas das estruturas sociais uma vez que existe a variedade de atividades humanas que tem lugar por trás das fileiras ou círculos de carteiras ocupadas por alunos as vezes anonimamente e com enorme semelhança que por muitos momentos passam despercebidos se não houver esta escuta pedagógica mesmo do silêncio deste ser social que se encolhe e se esconde para não ser encontrado neste ambiente.

O professor na sua escuta estará muito mais interessado em descobrir a maneira como poderosos interesses influenciam ou mesmo controlam as ações destes sujeitos, olhando atrás dos mecanismos oficiais que supostamente regem o poder daquela comunidade e assim insistirá em investigar e ver que existe outro nível de realidade a ser  pesquisado.

Observamos que o aluno ainda na fase do ensino fundamental aprende a ser membro participante da sociedade pois ele descobre quem ele é ao aprender o que é a sociedade, aprender a desempenhar os papéis que lhe são adequados, aprender a assumir o papel do outro, quando observamos através de nossa escuta pedagógica a função sócio-psicológica crucial da brincadeira, na qual os alunos representam vários papéis sociais e ao assim fazer descobrem o significado dos papéis que lhe são atribuídos.

Todos esse aprendizado ocorre, e só pode ocorrer, em interação com outros seres humanos, quer se tratem da família ou de qualquer outra pessoa que eduque, como é o caso do professor e da escola. Neste momento observa-se que a identidade ocorre como um ato de reconhecimento social pois somos aquilo que os outros crêem que sejamos portanto neste momento o profissional atento verifica quão importante é a escuta porque se privarmos o outro de afeto e atenção humanas tornamo-na desumanizadas.

A identidade humana é atribuída pela sociedade e esta deverá sustentá-la porque se tivermos respeito ao outro este vem a respeita-se, se atribuirmos ao aluno o esteriotipo de bobo, este vem a abobalhar-se, neste momento o papel do professor é de fundamental importância e sua escuta se faz necessária para que faça prevalecer a identidade amparada na sociedade senão a auto-imagem ficará abalada se não for mantida.

O grande cuidado que o professor deverá ter quanto a escuta pedagógica é evitar o pré-julgamento, evitando assim o preconceito para não afetar o destino externo deste aluno como também a consciência, na medida que ela é moldada pelas expectativas da sociedade.

O mais terrível que este preconceito pode fazer ao aluno é que ele tenda a se tornar aquilo que a imagem preconceituosa diz que ele é, por isso o professor na sua escuta pedagógica deverá ter a dignidade da permissão social com o outro.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

  • Berger, Peter L.; Perspectivas Sociológicas uma visão humanística; Ed. Vozes, 29ª. edição; 2007;
  • Farias, Refletindo sobre contribuições de Piaget, Vygotsky, Wallon e Winnicott: uma escuta sensível do educador hoje;2008.
  • Fonseca, Eneida Simões da; Atendimento escolar no ambiente hospitalar; Memnon; 2003
  • Fontes, Rejane de S. A escuta pedagógica à criança hospitalizada: discutindo o papel da educação no hospital; 2004
  • Freire, Paulo; Pedagogia da autonomia; 15ª. Edição; 2000.p.33
  • Martins, Soraia Maria Lopes Martins; A educação escuta a psicanálise na busca da compreensão do fracasso escolar; 2005.
  • Rodrigues, Evelise Vieira Melo; Educação infantil: novas escutas, novos olhares; 2005.
  • Stuart Hall; A identidade cultural na pós-modernidade; DP&A editora; 11ª. edição; 2006.

 

 


Fonte: Magaly Alencar
 
   
 

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